A GRANDE AVENTURA

Quando Zóide surgiu nos países baixos, parecia apenas uma sementinha, um grãozinho luminoso que eclodiu de um enorme campo de cultivo. Eram milhares, na verdade milhões de sementinhas que agora estavam à sua volta em diferentes graus de desenvolvimento e posição. Ele notou que todos se pareciam e também percebeu que, de alguma maneira, estava separado dos outros, mas ao mesmo tempo conectado a eles de uma forma que ele não conseguia entender.

As sementinhas mais velhas, do alto de sua sabedoria herdada durante milênios de evolução, logo trataram de frear seu natural entusiasmo:

-“Calma Zóide, sossegue. Senão você pode se perder”, lhe diziam.

-“Cuidado, não se exalte demais. Você pode se encrencar”. E assim por diante.

Mas Zóide era curioso, inquieto, impávido e cheio de energia. Ele até tentou ficar quieto enquanto observava outras sementinhas se formando ao seu redor. Assim, algum tempo se passou enquanto ele se preparava para o que lhe diziam que seria a grande aventura da sua vida.

O interessante é que aí também existia a liberdade de ele poder escolher, ou não, participar da jornada que se avizinhava, ou apenas observar seus destemidos companheiros partirem para enfrentar o desafio. Zóide se dava conta de que o ambiente que o cercava era 90% dourado e luminoso, encimado por um céu branco e leitoso, além de alguns pontos de variadas cores, entremeando-se com o dourado reinante.

O próprio Zóide era totalmente incolor no início, mas observou que, à medida que se desenvolvia, surgiam em seu corpo formas e cores que se diferenciavam umas das outras. Ele estava ansioso pela tal viagem só de ida, tão comentada. Até que chegou o momento, e os conselheiros lhe avisaram:

-“Falta pouco, prepare-se”.

Isso foi dito não apenas para ele, mas para milhões de outros como ele que se juntaram no ponto de largada. Zóide absorveu o mais que podia, não só da sensação de invencibilidade que o permeava, mas de tudo que o cercava. Ele não sentia que precisava vencer ninguém, não estava competindo. Já no finalzinho percebia que ele e os milhões de companheiros eram como que um corpo só, uma única mente maior.

Zóide estava feliz, não sentia a mais mínima angústia ou medo, tampouco a necessidade de provar-se melhor que os demais. Apenas a vontade de mergulhar fundo de cabeça e nadar no maravilhoso e brilhante rio leitoso que, de repente (e vindo não se sabe de onde), começou a engolfá-los e a catapultá-los. Eles escutavam apenas os gritos de “Vamos…. Arrasem…. Boa sorte…. Nos deixem orgulhosos…. Vocês são nós….”, e assim por diante.

Zóide não sabia de onde vinha aquele êxtase quase impossível de suportar que tomou conta dele e o conduziu deliciosamente, junto com seus companheiros. Ele nem precisou usar as suas forças físicas ou mentais, sentia-se levado enquanto tremia de alegria, doce antecipação, fervor e prazer. A sensação durou até a metade do trajeto.

De repente ele se sentiu novamente confuso como antes de começar a corrida. Reduziu a marcha e começou a notar que grande parte do grupo (em torno de 60%) tinha ficado pelo caminho. Mas um ímpeto tomou conta e ele começou novamente a acelerar, a nadar, agora de uma forma consciente e determinada.

Os outros o seguiam, e pelo menos uma dúzia o alcançou. Centenas de outros os acompanhavam mais distantes. Pela primeira vez ele começou a sentir o peso da responsabilidade e da realidade física. Percebia-se nadando para cima, numa corrida de obstáculos. E à medida que percorria as distâncias aparentemente íngremes e intermináveis, notou que se cansava cada vez mais.

Encostou numa dobra suave e aconchegante, permitindo que muitos o ultrapassassem. Ele pensou: “O que estou fazendo aqui? Para onde estou indo? Eu não preciso de tudo isto”.

Acomodou-se, tentando cair num sono profundo…. até que algo repentinamente chamou a sua atenção.

Havia um som suave, uma música delicada. Ele se sentia embalado em braços protetores e amorosos que o carregavam rio acima. Achou que estava sonhando, porém, quando caiu em si, toda a paisagem à sua volta tinha mudado. Zóide ainda observava os seus companheiros, tanto da vanguarda como da retaguarda, mas uma claridade ofuscante, e ao mesmo tempo irresistível, tomou conta dele e de tudo o mais que havia em seu entorno.

Num horizonte aveludado e místico, com aspecto de céu azul escuro, erguia-se o mais belo sol que Zóide jamais conseguiria imaginar, mesmo em seus sonhos mais loucos. Era desse sol que provinha a bela melodia sedutora e irresistível.

Zóide deu-se conta, então, que ele só existia em função de encontrar aquela estrela. Era por ela e para ela que ele tinha sido criado. De alguma forma sabia que fazia parte daquele céu cintilante e majestoso, apesar de que não compreendia como podia estar separado daquela estrela gloriosa e faiscante! Ele sabia com toda a potência de seu Ser que pertencia àquele sublime firmamento, e nada o impediria de tentar alcançá-lo!

Bem…. Nada mais importava agora.

Parecia que ela tinha esperando por ele durante todas as eras e agora o chamava suavemente para, juntos, completarem a história de tudo. Observando-a, percebeu-a pelo menos 50 vezes maior que ele, o que não o deteve, tampouco o amedrontou – pelo contrário, ainda o incentivou mais e mais. Sentia que, por mais mínima que fosse a sua participação, ela era essencial.

Arrebatado, nem notou mais qualquer tipo de cansaço, desânimo ou falta de propósito.

Percebia que ela soltava tentáculos de luz em direção a ele, que o acariciavam suavemente e o atraíam irresistivelmente para uma espécie de dança cósmica sem começo e nem fim.

Observou que seus colegas estavam tão apaixonados e atolados quanto ele, chegando a imaginar, no começo, que todos acabariam mergulhando dentro daquele calor amoroso que se desprendia daquela enorme estrela brilhante e irresistível.

Agora ele tinha descoberto o seu propósito de vida, que era lançar-se o mais célere possível naquela direção, diluir-se naquele sol e morrer de amor.

Era tudo que importava.

Era tudo que queria.

Nada mais existia.

Com uma energia renovada, ele e muitos dos seus colegas atiraram-se impetuosamente em direção ao belíssimo sol que os convidava. Quando Zóide e alguns colegas já estavam orbitando aquele sol, de repente as energias se esgotaram mais uma vez. Nesse momento, algo em torno de 40 dos seus companheiros se juntaram ao seu redor dizendo: “Vamos Zóide! É você, ela quer você”.

Todos lhe doaram o resto das suas escassas energias e empurraram-no para dentro daquela esfera irresistivelmente luminosa. Ele notou e comoveu-se com o amor de seus colegas, bem como com a admiração e o orgulho que sentiam dele. E no mesmo instante em que mergulhou arrebatado e fascinado em seu destino, dentro dele explodiu um profundo sentimento de gratidão por aqueles que deram as suas vidas para que ele pudesse começar uma nova etapa da sua.


Comentários de JORGE ZAHELL

E aí colega. Você não se lembra daquele momento, não é mesmo? Já existiu em sua vida, como humano, um instante tão sublime, dramático e mágico quanto este?

Cada um de nós que conseguiu nascer neste planeta já foi um Zóide que mergulhou em sua amada estrela naquele momento poético, definitivo e magnífico.

Não há nada mais miraculoso neste mundo que a fecundação. Não há nada que expresse melhor, de uma forma tão bem acabada, o grande mistério da vida que vivifica a todos.

A vida inteira está permeada de romance, de paixão, de amor, encanto e arrebatamento sem fim. Ela contém em si bilhões, trilhões, zilhões de processos, todos eles fundamentais no encadeamento perfeito e na sinfonia natural que torna cada um de nós tão único e singular.

Qual é o processo que permite que uma única célula em nosso corpo seja capaz de se transformar num princípio germinativo que conduz à formação de um óvulo ou de um espermatozoide????

Quantos milagres em sequência têm que se suceder para que estas duas células germinativas de corpos distintos, aparentemente tão diferentes, possam se encontrar alguma vez, de qualquer forma que seja?

Para mim, como para muitos, sem dúvida tudo é orquestrado por uma inteligência que conhece muito mais do que concebemos sobre nós, sobre os processos que nos precederam e sobre aqueles que irão nos suceder. E sendo esta inteligência, sem dúvida, muito superior a qualquer coisa que consigamos imaginar, então parece-me óbvio que ela saiba muito bem COMO nos proporcionar qualquer coisa que queiramos, assim como ela soube armar tão miraculosamente o processo que desencadeou aquela única célula que depois se tornou você, que depois se tornou eu e outros tantos neste mundo.

Aliás, tenho certeza até de que ela já nos proporcionou qualquer coisa que ousaríamos sonhar e muito mais. Cabe a nós acessar a maneira de reivindicar os direitos já adquiridos, ou seja, cabe a cada pessoa encontrar a forma de descobrir como ter fisicamente (se achar necessário) aquilo que já lhe pertence em outras esferas – pois tudo já nos foi dado, desde sempre e para sempre, só esquecemos disto e estamos nos lembrando aos poucos.

Neste livro você já está encontrando ferramentas poderosas que vão lhe auxiliar nesta busca por aquilo que já é seu, mas com o qual você ainda não entrou em contato.

Saiba…. Aquilo que você quer também lhe quer! Aliás, já lhe pertence !

Quando Zóide se descobriu como tal, só sabia que havia alguma aventura esperando por ele. Não ficou pensando nisso, apenas aceitou. Mas, por algum motivo, ele se tornou uma célula germinativa, e não uma célula do fígado, do coração ou do sistema nervoso. Jamais imaginou que ele era apenas uma “meia-célula”, que continha em si o potencial sagrado de se transformar não apenas em bilhões de outras células com igual potencial, mas também nos numerosos processos mágicos intermináveis que manteriam o organismo (por ele gerado) indefinidamente vivo e saudável por décadas – sem mencionar o milagre evidente que perpetuaria suas características em seus descendentes por milênios!

Aquilo que ele queria, mesmo sem saber, não só o queria também, como ainda ajudou-o a chegar lá. Havia uma inteligência superior inerente a ele e àquele Sol, a qual os conduziu um em direção ao outro para que seu amor se consumasse.

Aliás, o amor permeia todas as células, átomos e partículas do corpo. Ele permeia tudo que é visível e invisível no Universo!

Agora…. qual é o papel do amor nisto tudo?

Simplesmente essencial !

O amor é tanto o princípio quanto o fim de tudo, é o Alfa e o Ômega, é o que está no meio, nos lados, em cima, embaixo, dentro e fora de tudo…. e assim por diante. O amor é a substância primordial que permite que tudo possa vir a ser, e mesmo enquanto não se expressa (ou mesmo que nunca se expresse), Ele É – existe por trás de todas as aparências.

Ah, e por último, mas não menos…. Melodias e músicas vêm de uma esfera elevada do Ser, e portanto elas podem de alguma forma ser sentidas por qualquer criatura viva. Dito isto, sugiro que se ouça a canção especial que foi o pano de fundo da jornada de Zoid rumo ao seu destino de encontrar sua amada: Seasons In The Sun, por Terry Jacks. Aprecie!


Ficou curioso?   

Quer saber mais?

Então…. Vem comigo !

Esta história foi retirada do livro MANUAL DO HOMEM APAIXONADO – PARTE 1, disponível aqui neste mesmo blog (onigya.com) na seção BOOKS do Menu. Ele contém muitas histórias cheias de Consciência, Amor, Paixão e Romance, tudo comentado por mim a partir de uma perspectiva mais elevada da vida (que vem diretamente de uma Consciência Cósmica — assim chamada no livro citado). Outros livros e sugestões também estarão disponíveis na sequência.

Boa sorte!

JORGE ZAHELL

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Image by Gerhard Gellinger from Pixabay

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